Psic. Cristiane Zevir

Cristiane Zevir CRP08/11417
Psicoterapia Familiar, de Casal e Individual

Orientação Profissional e de Carreira

A palavra jogo tem origem do vocabulário latino iocus, que significa diversão, brincadeira e é utilizada para nomear a atividade lúdica infantil, o “brincar”. Pode ser utilizada tanto para os movimentos que o bebê realiza nos primeiros anos de vida agitando os objetos que estão ao seu redor, quanto para jogos tradicionais e/ou o desporto institucionalizado (Negrine, 1997).

Vários autores falam sobre a importância do uso dos jogos para o aprendizado da criança. Pontuam que o uso de materiais lúdicos e interativos propicia um processo cognitivo mais questionador, favorece a reflexão e a obtenção de conhecimento em que a criança tem a oportunidade de interagir com seus pares e desenvolver a cooperação, avaliar o ponto de vista de outras pessoas, deixando assim de ser egocêntrica; é uma atividade ou ocupação voluntária, onde o real e a fantasia se encontram; um meio simbólico utilizado pela criança para resolver seus problemas e pensar sobre o mundo da experiência, tornando-as capazes de imaginar, experimentar papéis e comportamentos que assumirão quando adultos. [clique para continuar a leitura]

O brincar, os jogos e as brincadeiras são recursos que auxiliam a constituição da identidade, da autonomia infantil e das diferentes linguagens das crianças (verbais e não verbais), proporcionando o desenvolvimento social, emocional e intelectual, essencial para a aprendizagem em que aprende, exercita, desenvolve potencialidades e prepara-se para a vida adulta, incorporando valores, conceitos e conteúdos.

O jogo é uma forma eficaz e prazerosa de aprendizado e que representa para a criança o mesmo que o trabalho representa para o adulto. “Como o adulto se sente forte por suas obras, a criança sente-se crescer com suas proezas lúdicas” (Chäteau, 1987, p. 29).

No entanto, para que um jogo seja útil no processo educacional deve propor desafios interessantes para as crianças resolverem, proporcionar uma auto-avaliação quanto a seu desempenho e permitir a participação ativa de todos os jogadores, entre outros.

Alguns objetivos podem ser observados no uso de jogos, tais como: trabalhar a ansiedade; rever limites; reduzir a descrença na auto-capacidade de realização; diminuir a dependência; desenvolver a autonomia; aprimorar a coordenação motora; desenvolver a organização espacial; aumentar a atenção e a concentração; desenvolver antecipação e estratégia; trabalhar a discriminação auditiva; ampliar o raciocínio lógico; desenvolver a criatividade; perceber figura e fundo (a visão das partes de um todo e a integração delas no conjunto); aprendizado de reação adequada das emoções relacionadas a ganhar e perder.

 

REFERÊNCIAS

- Bee, H. A criança em desenvolvimento. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

- Bomtempo, E. Brincar, fantasiar, criar e aprender. In: OLIVEIRA, V. B. (org.) O brincar e a criança do nascimento aos seis anos. 4. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2000.

- Chäteau, J. O jogo e a criança. Tradução: Guido de Almeida. São Paulo: Summus, 1987.

- Constance, K. Jogos em grupo na educação infantil: implicações da teoria de Piaget. Tradução Marina Célia Dias Carrasqueira. São Paulo: Trajetória Cultural, 1991.

- Gardner, H. A criança pré-escolar: como pensa e como a escola pode ensiná-la. Tradução. Carlos Alberto S. N. Soares. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

- Kishimoto, T. M. Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. Educação e Pesquisa, vol. 27, no. 2, pp. 229-245, 2001.

- Lopes, M. G. Jogos na educação: criar, fazer e jogar. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

- Mello, A. M. Psicomotricidade, educação física e jogos infantis. 3. ed. São Paulo: IBRASA, 1989.

- Monteiro, S. S., Vargas, E. P. e Rebello, S. M. Educação, prevenção e drogas: resultados e desdobramentos da avaliação de um jogo educativo. Educação e Sociedade, v. 24, n. 83, p.659-678, ago. 2003.

- Negrine, A. Simbolismo e jogo. In SANTOS, S. M. P. (org.) Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

- Noffs, N. A. A brinquedoteca na visão psicopedagógica. In: Oliveira, V. B. (org.); Antunha, E. L. G.; Ramos, A. M. Q. P.; Bomtempo, E; Noffs, N. A. O brincar e a criança do nascimento aos seis anos. 4. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2000.

- Soares, M. R. Z.; Moura, C. B. de; Prebianchi, H. B. Estratégias lúdicas para intervenção terapêutica com crianças em situação clinica e hospitalar. In: Brandão, M. Z. Conte, F. (orgs) Sobre comportamento e cognição. 1. ed. v. 12. Santo André, São Paulo: ESETEC, 2003.