
Tisa Paloma Longo CRP 08\11412
Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
Especialista em Psicopedagogia
Reportagem publicada em 13/01/2007, no Caderno Viver Bem do Jornal Gazeta do Povo, por Jennifer Koppe (jenniferk@gazetadopovo.com.br), com a participação da Psic. Tisa Paloma Longo.
Seja para passar uma tarde, um fim de semana ou até alguns dias, algumas regras de comportamento e de etiqueta devem ser seguidas não só pelos visitantes, mas também pelos filhos e pais que receberão os amigos em casa. Para que o programa seja mais divertido para as crianças e mais tranqüilo para os adultos, confira as dicas das consultoras de etiqueta Ligia Marques e Sofia Rossi e da psicopedagoga Tisa Paloma Longo. [clique para continuar a leitura]
Para os visitantes
Crianças
• A psicopedagoga Tisa Paloma Longo lembra que o uso das “palavrinhas mágicas” como “por favor”, “obrigado”, “com licença” e “desculpas” são fundamentais. “Se precisar de algo, como ir ao banheiro ou beber água, sempre peça ao dono da casa.”
• Se vai pernoitar ou passar alguns dias na casa de alguém, não esqueça de levar utensílios de higiene pessoal, pijama e mudas de roupas. Se houver piscina ou se forem à praia, inclua na bagagem roupa de banho, toalha e protetor solar. De acordo com a consultora de etiqueta Sofia Rossi, não se deve levar travesseiros ou roupa de cama, a não ser em viagens à casa de campo ou de praia.
• A criança deve ser orientada a respeitar as regras da casa do amigo. Obedecer aos pais dele, assim como os horários das refeições, de dormir, de tomar banho, de assistir tevê e de jogar no computador.
• Os adolescentes também devem lembrar que não estão em sua casa e que devem seguir as regras do lugar. “Cuidar de suas coisas, do banheiro que usa e se oferecer para ajudar nos serviços da casa são bons exemplos. Ele deve procurar pensar se o que está fazendo pode, de alguma forma, incomodar alguém”, orienta a consultora Ligia Marques.
• É recomendado que tanto crianças quanto adolescentes levem uma quantia em dinheiro suficiente para comprar algo que precisam ou acompanhar os donos da casa em algum programa.
• Se a criança estragou ou quebrou alguma coisa, o melhor é avisar. “Não existe nada pior do que descobrir o ocorrido depois da pessoa ter ido embora”, lembra Sofia Rossi.
Pais
• Os pais do visitante devem procurar conhecer a família do amigo e acertar os detalhes como tempo de visita e as atividades que serão realizadas. Sofia Rossi explica que cabe aos pais do visitante fazer um briefing sobre seu filho: se tem alergia, se toma remédios, preferências de comida, se dorme com luz acesa …
• A consultora também alerta: “é deselegante ‘esquecer’ o filho na casa do amigo! Isso não pode acontecer.” E Ligia Marques completa: “mesmo que haja insistência para o filho ficar, muitas vezes isso ocorre por educação da família e os pais do visitante precisam ter bom senso.”
• Se a criança for dormir lá ou passar alguns dias, os pais devem preparar a sua mala, com tudo o que ela precisa. Os adolescentes podem arrumar a sua própria bagagem, mas com supervisão, para que eles não se esqueçam de nada.
• No caso dos pequenos, mande alguns brinquedos na bagagem para que ele possa compartilhar com o amigo que o está recebendo.
• Presentear a família com uma caixa de bombons é de bom tom. Retribuir o convite ao anfitrião também.
• Tisa Paloma Longo aconselha combinar com o seu filho uma ligação diária para conversarem (deixe estabelecido quem irá ligar e o horário) e que ele faça um diário da estadia na cada do amigo, para depois mostrar aos pais o que fez e como se divertiu.
Para os anfitriões
Crianças
• Os pequenos não devem se recusar a emprestar os brinquedos e devem deixar que os amiguinhos se sintam bem em sua casa. A mãe deve orientar a criança para tratar a visita com todo o carinho para que esta goste de estar lá.
• Ela deve apresentar o amigo a todos os membros da família, além de mostrar a casa, o quarto e os brinquedos.
• Contar um pouco sobre a sua família, as regras da casa, os valores e já ter planejadas algumas atividades e/ou brincadeiras deixará o visitante mais à vontade.
• A criança deve ser orientada a não “isolar” sua visita caso discordem de alguma situação: se um quer jogar e outro não, se um quer deitar e o outro não… “Não é que a criança deve ficar 24 horas do dia à disposição de sua visita, mas é importante atender as necessidades do amigo sempre. Lembro aos pais que a tendência da criança-visitante é se comportar como o anfritrião”, explica a consultora Ligia Marques.
• Como as crianças, os adolescentes também precisam dar atenção ao amigo visitante. Não é nada agradável ligar o computador, colocar o MP3 no ouvido ou ficar pendurado no telefone enquanto o amigo está em casa.
• Nesta idade, alguns já saem sozinhos, portanto a programação a ser feita deve estar de acordo com ambas as partes.
Pais
• É importante , ao receber o hóspede, saber até quando ele pretende ficar e deixar o tempo de visita combinado. “Caso os pais ‘esqueçam’ o filho após este período, não há problema em ligar e perguntar se estão com algum problema em ir buscá-lo e, se for o caso, oferecer-se para levá-lo”, diz Ligia Marques.
• Para que o tempo das crianças seja bem aproveitado, Tisa Paloma Longo orienta os pais a montar com as crianças um calendário de atividades, reestruturar algumas regras para o período de férias (horário de brincar, ler, tomar banho, comer e dormir), reservar um tempo para participar de algumas atividades com elas, monitorar o uso da televisão e do computador e organizar alguns passeios ao museu, planetário, teatro e até à biblioteca, se forem ficar na cidade. “Os pais precisam de mais paciência e de mais controle das situações, pois as visitas mudam a rotina da casa, quase tudo é novidade, o que deixa as crianças mais agitadas”, explica.
Piores gafes
• Fazer da casa dos outros a sua casa, querendo impor costumes e horários.
• Invadir aposentos mais privados de outros membros da família.
• Para os pais, discutir, brigar, deixar faltar comida, roupa limpa de cama ou banho, ignorar o hospede não conversando com ele, excluí-lo de passeios com o restante da família.
• Crianças, adolescentes e adultos devem cuidar para não serem espaçosos demais, mesmo os anfitriões. “Deitar no sofá da sala, colocar os pés calçados na poltrona, comer de boca cheia, chegar da praia com os pés sujos de areia e pisar no tapete da sala, tomar banho e deixar o banheiro inundado depois, ficar sem tomar banho e não cuidar da higiene pessoal, por exemplo, são imperdoáveis”, considera a consultora Sofia Rossi.
Função educativa
Visitar ou receber um amigo em casa é muito importante para a formação da criança, como explica a psicopedagoga Tisa Paloma Longo. “As visitas geram uma troca, que com certeza possui afeto, se não, não estariam se visitando. E toda troca com afeto gera aprendizagem, pois é brincando que se aprende e aprendemos porque amamos, já dizia Rubens Alves.”
As crianças aprendem a conviver em grupo e a respeitar o espaço e os valores de outros. Mas para que ela esteja preparada para essa nova experiência, a orientação constante dos pais é imprescindível. “Essa orientação deve ser feita continuamente, todos os dias, em cada visita, em cada local. Fica difícil para uma criança que não recebeu nenhuma orientação a respeito de como se comportar fora de casa, apreender todas as informações de uma só vez”, lembra a consultora de etiqueta Ligia Marques.
Serviço: Sofia Rossi (consultora de etiqueta), site www.sofiarossi.net / Ligia Marques (consultora de etiqueta e marketing pessoal), site www.ligiamarques.com.br / Tisa Paloma Longo (psicoterapeuta e psicopedagoga) – PSC Psicologia Clínica, fone (41) 3014-8779.