“Como podemos nos entender (…), se nas palavras que digo
coloco o sentido e o valor das coisas como se encontram
dentro de mim; enquanto quem as escuta inevitavelmente as assume
com o sentido e o valor que têm para si, do mundo que tem dentro de si?”
(Luigi Pirandello)
Cada vez mais recebo no consultório pessoas com dificuldades no relacionamento amoroso. Sentem-se insatisfeitas, infelizes, decepcionadas e frustradas com o andamento da relação, seja namoro ou casamento.

Psic. Thays Araujo
Quando me relatam suas dificuldades e frustrações logo percebo que o maior problema do casal normalmente está na comunicação. A maioria deles não conversa! Me pergunto então, por que isso acontece? O que impede que falem o que sentem e pensam, sobre o que desejam?
Não seria mais fácil falar e expor aquilo que precisa, que espera do parceiro ou da parceira? Nem sempre isso acontece ou é fácil de ser feito, mas é necessário.
Mas não é porque não conversam que eles não se comunicam. As caras feias, os bicos, as lágrimas, os braços cruzados, o barulho da porta batendo e o silencio são formas de comunicação, de mostrar que algo não está bem. O que acontece é que quando comunicamos algo a outra pessoa interpreta da sua maneira, de acordo com seus sentimentos e experiências, além disso, conversar implica em ouvir e ser ouvido e isso não é tarefa fácil e parece ser uma dificuldade para muitas pessoas. Nas palavras de RECHULSKI citado por COLOMBO (2006, p. 64) “para conversar é preciso dar lugar ao outro, portanto, ouvi-lo e ser permeável a ele. Conversar implica em falar e escutar, isto é, dar lugar a mim mesmo e ao outro”. Esta tarefa sugere estar disponível a ouvir o que não se quer e a ter que falar coisas difíceis e isso pode ser complicado para alguns casais.
A falta de diálogo, de negociação e as dificuldades de compreender-se restringem o espaço para troca de idéias e a possibilidade que cada um tem de se expressar e de permitir ao outro que se expresse também. Isso pode ocorrer por diversos motivos como medo de desagradar o outro, receio de não ser aceito tal como é, medo de brigar, a competição e a disputa (os dois querem dar a palavra final e ter a razão), a não aceitação das diferenças individuais e culturais, entre outros. Assim, deixamos de expressar e compartilhar o que realmente desejamos e esperamos de quem amamos, acabamos errando na tentativa de acertar, magoando querendo agradar.
Lidar com esses conflitos implica em estar disponível a mudar padrões rígidos e estabelecidos e isso pode ser muito difícil para algumas pessoas. Portanto, este passa a ser um desafio para os casais, pois envolve dedicação, esforço e superação.
Se houver habilidade em negociar, flexibilizar e compreender o que cada um aspira como importante para si e para o casal, a relação pode se estabelecer com menos conflitos.
Portanto, a comunicação é um aspecto relevante nas relações conjugais no que se refere a dificuldades e impedimentos e também em possibilidades de aproximação, compreensão, aceitação e respeito mútuo. Desta forma, pensa-se que quanto melhor e eficaz é a comunicação melhor é a relação.
Psic. Thays Araujo (CRP08/12185)
Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
thaysaraujo@caentrenos.org
Referências
COLOMBO, S. F. (org) Gritos e sussurros interseções e ressonâncias: trabalhando com casais. Vol 1 e 2. São Paulo: Vetor, 2006.
ROSSET, S. M (org) Relações de casal: tempo, mudança e práticas terapêuticas. Curitiba: Sol, 2005.